"Temos de estar preparados para impacto direto brutal nos consumidores", Confederação dos Agricultores avisa para consequências da guerra

"Temos de estar preparados para impacto direto brutal nos consumidores", Confederação dos Agricultores avisa para consequências da guerra

A CAP alerta: se não houver redução dos impostos e taxas no gasóleo agrícola, o impacto vai ser enorme com consequências não só para os agricultores, mas também para o consumidor final.

Rosário Lira - Antena 1 /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena1 e do Jornal de Negócios, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, fala mesmo na necessidade de apoios diretos, se a situação se prolongar no tempo.

O presidente da CAP faz as contas ao aumento de 20 cêntimos por litro, que foi o registado na primeira semana de março, para concluir que, apenas considerando este valor no final de março, o impacto nos custos para os agricultores seria de mais 3,7 milhões de euros e a receita para o Estado de mais 424 mil euros.
Cerca de 25 por cento do preço de venda ao público são taxas e imposto e, por isso, é aí que tem de incidir a redução. Alerta que já foi dado ao Governo, mas a CAP ainda não obteve resposta. A medida já devia estar em vigor.
Sobre o impacto do carrocel de tempestades na agricultura, Álvaro Mendonça e Moura adianta que, no início de março, estimava-se que os prejuízos ascendessem aos 500 milhões de euros e, até ao momento, para além do apoio imediato dos 5 mil euros e nalguns casos dos 10 mil euros, nada mais está a acontecer. A CAP defende que têm de existir ajudas a fundo perdido.
Álvaro Mendonça e Moura diz que as verbas do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) não são suficientes e que é preciso ir buscar dinheiro ao Orçamento do Estado.
Adianta também que a reserva de crise da União Europeia (UE) terá de ser dividida com outros países e também não será suficiente.
Neste sentido, o presidente da CAP considera que, se o primeiro-ministro não está preocupado com os défices excessivos, então que isso não o impeça de ajudar quem precisa.
Álvaro Mendonça e Moura vai mesmo mais longe e diz que espera que, por causa da guerra, quem sofreu com as tempestades não seja esquecido.
Nesta entrevista ao Conversa Capital, o presidente da CAP revela também que vai ser necessária uma intervenção direta do Governo no mercado da madeira

Se o controlo dos preços não existir, vai-se assistir a uma descida abrupta dos preços devido ao excesso de madeira, resultante das tempestades, com graves riscos para os produtores. Neste sentido, Álvaro Mendonça e Moura já enviou uma carta ao Governo a alertar.
 Sobre a concertação social, o presidente da CAP acredita que pode haver acordo entre Governo e parceiros e que isso está mais perto de acontecer. A CAP está disponível para assinar o acordo se o mesmo não diminuir a possibilidade de ter mais mão de obra disponível.
 Até ao momento através da via verde já chegaram a Portugal para trabalhar na agricultura, em 110 empresas, 1600 trabalhadores.

A entrevista ao presidente da CAP é conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Diana do Mar, do Jornal de Negócios.
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